Cartas de Boas Vindas
Vigilância
Sanitária e os 20 anos da Constituição Cidadã.
O tema do IV Simpósio Brasileiro de Vigilância Sanitária
é a síntese de uma trajetória pela saúde
e qualidade de vida dos brasileiros. É uma apologia ao “processo
civilizatório” que atravessa a historia do Movimento pela
Reforma Sanitária que, desde a realização da VIII
Conferência Nacional de Saúde, em 1986, definiu os princípios
e as bases para a construção do nosso atual Sistema Único
de Saúde – o SUS.
Em que pesem os avanços que testemunhamos nestes últimos
20 anos, muito há por fazer em termos de redução
das iniqüidades em saúde e qualidade de vida dos cidadãos.
A atual crise econômica mundial, a escassez de recursos energéticos,
o aquecimento global, a ascensão da violência e da vulnerabilidade
social em todas as suas dimensões e seu impacto sobre a Saúde
– expressos de forma contundente nos relatórios internacional
e nacionais sobre os determinantes sociais da Saúde, lançados
recentemente – são expressões inequívocas
dos múltiplos e complexos desafios que a comunidade de Saúde
Coletiva e aqui, em particular, a Vigilância Sanitária
devem seguir enfrentando.
Saúde é hoje, mais que nunca, fruto e condição
para o desenvolvimento e a justiça social. “Saúde
é a resultante das condições de alimentação,
habitação, educação, renda, meio-ambiente,
trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra
e acesso a serviços de saúde.”( 8a. Conferência
Nacional de Saúde, Brasília, 1986) A Abrasco, através
de seu Grupo Temático de Vigilância Sanitária e
em estreita parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Ceará
congratulam-se com mais de uma dezena de instituições
parceiras a realização desta quarta edição
do Simbravisa.
Nos próximos dias de debate e proposições, a descentralização
do SUS, o atendimento integral, a participação da comunidade
(art.198 da Constituição Brasileira); o controle e fiscalização
de procedimentos, produtos e substancias de interesse para a saúde;
a execução de ações de vigilância
sanitária e epidemiológica bem como as de saúde
do trabalhador (art.200) – temas a serem enfocados entre os 1.210
trabalhos em apresentação – reafirmam e qualificam
nossa capacidade de traduzir utopias em políticas. Idéias
em ação.
Sob o artigo 196 de nossa Constituição - a Saúde
é direito de todos e dever do Estado - estamos todos convidados
a seguir construindo respostas frente aos grandes desafios no campo
do desenvolvimento social, da proteção e promoção
da saúde e da vida.
Bem vindos a Fortaleza! Bem vindos ao IV Simpósio Brasileiro
de Vigilância Sanitária!
José da Rocha Carvalheiro
Presidente da ABRASCO.
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Há 20 anos o movimento
da reforma sanitária brasileira encaminhou aos constituintes
na forma de moção popular idéias que, apoiadas
na reflexão teórica das academias, forjadas na experiência
do cotidiano dos serviços de saúde e reconhecidas na luta
das ruas pela volta das liberdades democráticas, reivindicavam
a saúde como um direito social. Dos vitoriosos artigos constitucionais
196 a 200 nasceu, dois anos após, nas leis que regulamentaram
o conceito de Vigilância Sanitária: “Entende-se por
vigilância sanitária um conjunto de ações
capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde
e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente,
da produção e circulação de bens e da prestação
de serviços de interesse da saúde, abrangendo:
I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem
com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção
ao consumo; e
II - o controle da prestação de serviços que se
relacionam direta ou indiretamente com a saúde.”
Há 18 anos a Vigilância Sanitária da Saúde
Pública busca ser afirmada nos princípios do SUS.
Há 9 anos a reforma do Estado Brasileiro criou uma agência
reguladora e reafirmou o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária
no SUS.
Nas rápidas transformações do capitalismo modificaram-se
os Estados e as políticas sociais foram subsumidas pelas econômicas.
A Vigilância Sanitária se mantém como área
da saúde pública na proteção aos riscos
advindos do consumo, uso e exposição de coisas e lugares
que podem causar danos às pessoas.
O IV SIMBRAVISA quer comemorar e legitimar esta trajetória, de
forma transparente e comprometida com os preceitos democráticos
e com a reflexão crítica necessária.
“O caminho se faz caminhando” .....Fomos chegando
daqui e dali, do Brasil inteiro e hoje, o IV SIMBRAVISA somos todos
nós. Saudamos!
Ontem, muitos emprestamos energia, esperança, e assumimos compromissos
com dedicação e solidariedade para realizarmos a idéia
SIMBRAVISA na sua quarta edição. Neste percurso fomos
acolhidos e acompanhados por pessoas, amigos, dirigentes, trabalhadores,
em especial da ABRASCO e da Secretaria Estadual de Saúde do Ceará,
nossos promotores. Agradecemos!
Amanhã, impregnados das renovadas, ou aqui nascidas, reflexões,
possibilitadas pelas discussões temáticas, conferências,
palestras, encontros, debates, conversas, leituras e rodas, voltaremos.
Que a razão que aqui nos trouxe, a Vigilância Sanitária
do Sistema Único de Saúde, refletida à luz da Constituição
Cidadã, modele nossas emoções nesta convivência,
e possibilite recriarmos a cada dia, mais e melhores ações,
pesquisas e práticas para a proteção sanitária
do nosso povo. Desejamos!
O grande desafio da Vigilância Sanitária no século
XXI, em tempos de crise, é se manter reconhecida como proteção
à saúde das pessoas no SUS. O IV SIMBRAVISA pode ser um
encontro desta afirmação.
Grande e fraterno abraço a todos os simposiastas.
Ana Figueiredo
Coordenadora da Comissão Colegiada do Grupo Temático
de VISA da ABRASCO.
Presidente do IV SIMBRAVISA.
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Bem-vindas e bem-vindos
todos. Sintam-se acolhidas e acolhidos na terra de Iracema, dos verdes
mares bravios, das alvas praias ensombradas de coqueiro.
Considerem-se nossas irmãs e irmãos de luta os que vieram
dos vales, das montanhas, dos pampas e da beira-mar, do planalto, das
metrópoles cosmopolitas e das longínquas cidades interioranas,
cada qual com seus trabalhos, com seus sonhos cada qual, como diria
Atahualpa Yupanqui, com esperanças de um Brasil melhor, com suas
histórias de vida pra contar.
Que este Simpósio abra novos horizontes e que tenhamos a força
coletiva para buscá-lo, com entusiasmo e vontade.
Neste encontro nacional, dos que trabalham nos Serviços e na
Academia, faremos uma retrospectiva da Vigilância Sanitária
nos vinte anos da Constituição Cidadã, que assegurou
a Saúde como um direito de todos os brasileiros e um dever do
Estado.
Abordaremos os problemas ambientais relacionados com a expansão
das fronteiras agrícolas e o desenvolvimento industrial e suas
implicações na saúde das pessoas.
Aprofundaremos os benefícios e riscos da ampliação
do complexo tecnológico em saúde e a regulação
sanitária.
Trocaremos experiências sobre o Regulamento Sanitário Internacional,
a vigilância de portos, aeroportos e fronteiras e os riscos de
pandemias.
Faremos reflexões sobre o papel da comunicação
e da propaganda, permitida ou permissiva, na construção
da consciência ou inconsciência sanitária.
Debateremos os aspectos éticos não só em relação
à fiscalização sanitária, mas também
na liberação, para uso no país, de produtos, medicamentos
e tecnologias. Que nestas ações, atitudes e deliberações
sejam observados os princípios da benignidade, não-malignidade,
justiça e autonomia dos usuários e a “prevenção
de possíveis danos e iatrogenias, a precaução frente
ao desconhecido, a prudência em relação aos avanços
e novidades e a proteção dos excluídos sociais,
dos mais frágeis e desassistidos (Garrafa, V., 2005).
Nos debruçaremos, com um olhar especial, sobre a promoção
e proteção da saúde, ao discutirmos a relação
entre os determinantes sociais e econômicos e as ações
de vigilância sanitária.
Finalmente revisitaremos os princípios do SUS, de igualdade,
integralidade, acesso universal e participação comunitária,
na organização do Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária. Neste debate devemos explicitar melhor o papel do
Ministério da Saúde e, em especial, da Secretaria de Vigilância
à Saúde e da ANVISA na definição da Política
Nacional de Vigilância Sanitária e do modelo de organização
das VISAS que queremos para todo o país. Nesta ocasião
pode se consubstanciar a necessidade inadiável de convocação
de uma Conferência Nacional das Vigilâncias.
Que os debates sejam livres, respeitosos e democráticos e que
os frutos maduros destes debates sejam colhidos pelo povo brasileiro,
no esforço coletivo de construção de uma sociedade
mais justa, humana, saudável e de paz.
Muito obrigado,
Manoel Dias da Fonsêca Neto
Presidente do IV SIMBRAVISA